segunda-feira, 29 de setembro de 2008

O centenário da morte de Machado de Assis

Há 100 anos morria o escritor Machado de Assis, ícone maior do Realismo/Naturalismo no Brasil. Foi no dia 29 de setembro de 1908 que se deu seu falecimento, quando contava 69 anos de uma trajetória “penosa, porém vitoriosa”, como escreveu um crítico literário cujo nome me foge da memória.
Machado de Assis superou a pobreza advinda da escravidão de seus antepassados, o estigma de mulato, a gagueira e a epilepsia e, pelas letras, varou incólume todo o espectro social de um Rio de Janeiro aristocrático, deixando um legado que já faz parte da fortuna crítica mundial de natureza clássica.
No dizer do crítico literário Alfredo Bosi, que acaba de escrever farto material para a “Folha Explica”, Machado de Assis, além de ser o maior romancista brasileiro, é figura de destaque no cenário universal. “A sua estatura ombreia-se com a de alguns contemporâneos que alcançaram renome internacional: Zola, Maupassant, Verga, Eça de Queirós, Thomas Hardy, Henry James, Tchekhov”.
Menino pobre, filho de uma lavadeira e de um operário, tornou-se autodidata e pela sua própria observação de mundo e leituras que fez habilitou-se a escrever a obra de estréia do Realismo Brasileiro: “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, um livro revolucionário, especialmente por desnudar a realidade social de sua época. Além disso, honrou as premissas do Naturalismo ao retratar o homem brasileiro com todas as suas virtudes e hipocrisias. Principalmente hipocrisias.
O escritor idealista comportado de “Helena”, rompe com conformismo e através de um defunto-autor chamado Brás Cubas, solta sua pena ao sabor da imaginação e da observação, ao tempo em que esquadrinha, com rara maestria, os comportamentos Humanos.
Machado de Assis soube ser pessimista sem ser derrotista. Ele apenas mostrou o seu rompimento com o ideal do Romantismo, escola criticada pelos realistas por ter sido alienada das questões sociais. Agora decidira fazer da pena um instrumento de denúncia e de incitação ao pensamento e ao raciocínio.
Daí a justificativa para “personagens de carne e osso” como Capitu, Bentinho, Escobar, Quincas Borba, Dom Casmurro, Brás Cubas, entre outros que eram pessoas do povo, todas sujeitas às mesmas situações.
Nenhum outro escritor foi tão fértil na descrição dos sentimentos humanos. Quem lê as obras da segunda fase do autor, que é a realista/naturalista, tem a impressão que o tempo parou, pois a ordem cronológica dos fatos dá lugar ao tempo psicológico que nada mais é do que um mergulho nos recônditos mais profundos da alma das personagens, descrições de coisas e lugares e outras divagações.
Machado de Assis, o bruxo da pena, em seu centenário de morte, continua suscitando muitas dúvidas e, entre elas, a mais elementar de todas que é: Capitu traiu ou não traiu? A leitura de suas obras da segunda fase é um tapa na inocência. Instigante, ele está a serviço do leitor atento, desconfiado e malicioso. Quem estiver à busca de estórias açucaradas e com final feliz não deve perder seu tempo com Memórias “Póstumas de Brás Cubas”, “Dom Casmurro”, “O Alienista”, entre outros, além de seus inumeráveis contos e cartas. (Texto: F.Carvalho)

Click no quadro abaixo para assistir vídeo extraído do Portal You Tube.

video

2 comentários:

Anônimo disse...

Dr. Carvalho,

Excelente e muito didático.
Como é mesmo, Dr. Carvalho, na sua opinião CAPITU traiu mesmo o Bentinho? kkkkkkk
Um gde. abraco.
Anchieta Melo-Fortaleza

Anônimo disse...

Gostei do blog. Parabéns!
Dilma